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Alcolumbre pauta PEC do Marco Temporal na CCJ um dia antes do STF retomar julgamento

Alcolumbre pauta PEC do Marco Temporal na CCJ um dia antes do STF retomar julgamento

Redação NEWS WEB RADIO

Em claro sinal político à Suprema Corte, presidente da Comissão de Constituição e Justiça agiliza tramitação de proposta que contrapõe entendimento do Judiciário sobre terras indígenas.

Em mais um capítulo da crise institucional entre o Legislativo e o Judiciário, o senador Davi Alcolumbre (União-AP), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, incluiu na pauta desta quarta-feira a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 48/2023, que institui o Marco Temporal para a demarcação de terras indígenas.

A manobra é vista nos bastidores de Brasília como um "recado direto" ao Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação de Alcolumbre ocorre exatamente um dia antes da data prevista para que a Corte retome o julgamento sobre a mesma tese jurídica.

O "Timing" Político

A decisão de pautar a PEC na véspera da sessão do Supremo não é coincidência. O Senado Federal, sob a liderança de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e com a articulação de Alcolumbre na CCJ, tem buscado reafirmar a competência do Congresso para legislar sobre temas que, na visão dos parlamentares, vêm sendo decididos via ativismo judicial.

"Não se trata apenas da questão indígena, mas de quem dá a última palavra sobre a legislação no país", afirmou um interlocutor da bancada ruralista sob reserva.

Se aprovada na CCJ, a PEC segue para o Plenário do Senado. A intenção do Congresso é constitucionalizar a tese do Marco Temporal, criando uma barreira legislativa caso o STF declare a tese inconstitucional.

O Que Está em Jogo

O cerne da disputa é a interpretação do Artigo 231 da Constituição.

  • A Tese do Marco Temporal (Defendida pelo Congresso/Ruralistas): Sustenta que os povos indígenas só têm direito à demarcação das terras que ocupavam fisicamente no dia 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

  • A Tese do Indigenato (Tendência no STF/Ambientalistas): Defende que o direito à terra é "originário", ou seja, anterior à criação do próprio Estado brasileiro, independendo da presença física em 1988 (muitos povos haviam sido expulsos de suas terras naquela data).

A Crise Institucional

A celeridade dada por Alcolumbre à PEC 48/2023 ocorre em um momento de temperatura elevada na Praça dos Três Poderes. Além do Marco Temporal, Congresso e STF divergem sobre outros temas sensíveis, como a descriminalização do porte de drogas para consumo pessoal e o aborto.

Senadores da oposição e da base ligada ao agronegócio pressionam para que o Legislativo imponha limites às decisões monocráticas e aos mandatos de ministros do STF, criando um cenário de "queda de braço" onde a pauta do Marco Temporal virou uma das principais armas políticas.

Próximos Passos

O relator da proposta na CCJ, senador Esperidião Amin (PP-SC), já apresentou parecer favorável à PEC. Se a votação for concluída na comissão nesta quarta-feira, a pressão se volta totalmente para o plenário do STF na quinta-feira.

O resultado desse embate definirá não apenas o futuro de centenas de territórios indígenas no Brasil, mas também o equilíbrio de forças entre quem faz as leis e quem as julga.

 

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