Por Redação NEWS WEB RADIO Publicado em 04 de fevereiro de 2026
Em uma decisão que reforça a proteção ao correntista na era digital, o Poder Judiciário tem consolidado o entendimento de que as instituições financeiras detêm a exclusividade do conhecimento técnico sobre seus sistemas. Por isso, não se pode exigir que o consumidor produza provas de que houve uma falha de segurança — o que juristas chamam de "prova diabólica" ou impossível.

A Inversão do Ônus da Prova
Recentemente, o Tribunal de Justiça (TJ) manteve a inversão do ônus da prova em casos de fraudes eletrônicas. O argumento central é a hipossuficiência técnica: enquanto o banco possui todos os registros de logs, IPs e padrões de acesso, o cliente tem apenas o seu dispositivo e a afirmação de que não realizou a transação.
A justiça entende que, se o sistema bancário permitiu uma operação que foge completamente ao perfil do cliente (como transferências atípicas de altos valores em horários incomuns), a falha é considerada um fortuito interno — um risco inerente à atividade do banco.
O que diz o STJ?
Decisões recentes do Superior Tribunal de Justiça (STJ) reafirmam que as instituições devem indenizar integralmente as vítimas, afastando inclusive a tese de "culpa concorrente".
"O serviço é considerado defeituoso se não fornece a segurança que o consumidor legitimamente espera", destaca a jurisprudência baseada no Artigo 14 do Código de Defesa do Consumidor (CDC).
Principais pontos das decisões recentes:
-
Perfil do Consumidor: Bancos devem ter sistemas capazes de bloquear operações que destoem do histórico do cliente.
-
Responsabilidade Objetiva: O banco responde pelo dano independentemente de ter tido "culpa" direta no golpe, bastando que sua segurança tenha sido burlada.
-
Fim da Prova Impossível: O consumidor não precisa provar "que não fez" a transação; o banco é quem deve provar, de forma irrefutável, que a transação foi segura e realizada pelo titular.
Como o consumidor deve proceder?
Especialistas orientam que, em caso de fraude, o cliente deve:
-
Registrar imediatamente um Boletim de Ocorrência (B.O.).
-
Notificar o banco através dos canais oficiais para contestar a transação.
-
Guardar prints de conversas, e-mails ou extratos que comprovem a movimentação suspeita.
Com a Justiça facilitando o caminho probatório, o foco agora recai sobre a capacidade das instituições financeiras de investirem em tecnologias de monitoramento mais robustas para evitar prejuízos aos seus usuários.