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A “Colisão Irreversível” no “Núcleo do União Brasil” em Mato Grosso

Publicada em: 14/03/2026 08:49 -

A estrutura partidária do União Brasil em Mato Grosso enfrenta um processo de fragmentação iminente, catalisado pela divergência estratégica entre o governador Mauro Mendes e o senador Jayme Campos. O centro do conflito reside na impossibilidade de coexistência entre o projeto de sucessão governamental defendido pelo chefe do Executivo Estadual e as pretensões majoritárias da ala liderada pela família Campos.

Segundo o deputado estadual Júlio Campos, a ausência de um consenso imediato forçará uma ruptura definitiva, resultando na desfiliação de um dos expoentes da sigla, fenômeno descrito pelo parlamentar como um “expurgo” natural diante da incompatibilidade de agendas políticas para o pleito de 2026.

O objeto principal da discórdia é a definição da candidatura ao Palácio Paiaguás, onde Mauro Mendes articula o apoio irrestrito ao seu vice-governador, Otaviano Pivetta (Republicanos). Em contrapartida, o senador Jayme Campos reivindica o direito estatutário de encabeçar a chapa pelo próprio União Brasil, rejeitando a condição de coadjuvante em um projeto externo. Essa queda de braço não se limita a nomes, mas à própria sobrevivência da identidade partidária, uma vez que a legenda se vê diante do dilema de priorizar uma aliança administrativa consolidada ou fortalecer o protagonismo de seus quadros históricos em uma disputa direta pelo comando estadual.

As movimentações ocorrem no epicentro político de Cuiabá, estendendo-se às bases eleitorais do interior, onde as alianças municipais começam a sofrer os reflexos da instabilidade na cúpula. O ambiente de incerteza permeia as reuniões partidárias na capital mato-grossense, local onde as diretrizes para 2026 são traçadas sob constante vigilância. A geografia política do Estado, tradicionalmente marcada por blocos de poder regionais, observa atentamente o desenrolar deste embate, ciente de que a decisão tomada nos gabinetes ditará o ritmo da sucessão em todos os 141 municípios de Mato Grosso.

Cronologicamente, o estopim para a reconfiguração do poder está datado para o dia 4 de abril de 2026, momento em que a desincompatibilização de Mauro Mendes ocorrerá para que ele dispute o Senado Federal. Este marco temporal é decisivo, pois a ascensão definitiva de Otaviano Pivetta ao cargo de governador alterará a correlação de forças e a caneta oficial do Estado. Até lá, o cronograma eleitoral impõe uma urgência nas definições partidárias, forçando o União Brasil a antecipar decisões que, em cenários de normalidade, seriam postergadas para as convenções partidárias de meados do ano eleitoral.

A motivação intrínseca a esse embate é o cumprimento do estatuto partidário, que, segundo Júlio Campos, é inflexível quanto à fidelidade verticalizada. O parlamentar ressalta que, caso Mauro Mendes permaneça no União Brasil para concorrer ao Senado, ele estaria legalmente compelido a dividir o palanque e o material de campanha com o candidato ao governo escolhido pela convenção da sigla, neste caso, Jayme Campos. A recusa em apoiar um correligionário em prol de um aliado externo configura uma transgressão normativa que o governador parece pouco inclinado a arriscar, preferindo, se necessário, a migração para uma legenda onde possua plena autonomia de voo.

O modo como essa reorganização está sendo operada envolve a construção de uma frente ampla de oposição ao atual eixo governista. Júlio Campos detalha que a estratégia consiste na aglutinação de forças do centro político, utilizando o capital político da família Campos como força de atração.

A engenharia política é minuciosa: busca-se oferecer uma alternativa que não apenas confronte o grupo de Pivetta e Mendes, mas que também apresente uma proposta de gestão que preserve os interesses dos setores econômicos que hoje sustentam o Estado, garantindo uma transição sem rupturas administrativas bruscas, mas com nova liderança política.

 

Para viabilizar tal projeto, o União Brasil articula uma composição estratégica que visa a máxima competitividade eleitoral. O objetivo é formar uma chapa “puro-sangue” em termos de influência, mas plural em siglas, unindo o peso histórico de Jayme Campos ao vigor eleitoral de nomes como a deputada Janaína Riva (MDB). Essa aliança tem o propósito claro de isolar o grupo de Otaviano Pivetta, criando um vácuo de apoio partidário em torno do futuro governador e forçando-o a buscar sustentação em legendas de menor envergadura ou em coligações ideologicamente mais distantes do centro.

As condições para o sucesso dessa frente ampla dependem da adesão formal do MDB e do Podemos, além de siglas satélites que gravitam em torno dessas lideranças. A proposta apresentada inclui a prefeita de Barão de Melgaço, Andréia Wagner, como potencial vice-governadora, oferecendo uma representatividade feminina e regional estratégica. O sucesso dessa composição está condicionado à capacidade de Jaime Campos em ceder espaços nas vagas ao Senado e na suplência, equilibrando os egos e as ambições de um arco de aliança que, embora robusto, possui múltiplos pretendentes para poucas cadeiras majoritárias.

Os aliados nessa empreitada são figuras de proeminência no cenário estadual e nacional. A deputada Janaína Riva surge como peça-chave, representando a capilaridade do MDB e a força do voto jovem e feminino, enquanto lideranças do Podemos oferecem a estrutura partidária necessária para dar densidade ao tempo de TV e Rádio. A convergência entre esses atores políticos sinaliza que a disputa de 2026 não será apenas entre indivíduos, mas entre blocos partidários solidamente estruturados, cada qual com seus respectivos exércitos de prefeitos e vereadores prontos para a mobilização nas bases eleitorais.

 

O desfecho provável, diante do cenário atual, aponta para uma polarização nítida em Mato Grosso. De um lado, o bloco da continuidade administrativa liderado por Otaviano Pivetta e Mauro Mendesde outro, a coalizão de centro liderada pelo União Brasil e MDB. A saída de Mendes da sigla, embora drástica, parece ser a solução técnica para evitar o conflito jurídico-estatutário e permitir que ambos os grupos sigam seus caminhos com clareza. A política mato-grossense encaminha-se para um embate de gigantes, onde o pragmatismo das alianças determinará quem herdará o controle do estado mais próspero do agronegócio brasileiro.

FONTE -BLOG DO VALDEMIR

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