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MP de Mato Grosso investiga suposto esquema de desapropriação de terras envolvendo gabinete de Valdir Barranco

Publicada em: 08/04/2026 08:34 -

CUIABÁ – O Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) iniciou uma investigação sobre um possível esquema de irregularidades em processos de desapropriação de terras conduzidos pelo INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). O caso ganhou repercussão nacional após a divulgação de áudios e vídeos que comprometem figuras ligadas ao cenário político estadual.

 

O Nó do Escândalo

No centro das denúncias está Salvador de Almeida, assessor do gabinete do deputado estadual Valdir Barranco (PT). Gravações revelam Salvador supostamente intermediando acordos financeiros com proprietários de terras para facilitar processos de desapropriação pelo INCRA.

O alvo principal seria a Fazenda Nossa Senhora Aparecida, localizada em Nova Bandeirantes, no extremo norte de Mato Grosso. A propriedade, de 2.400 hectares, está avaliada em R$ 35 milhões. De acordo com as investigações, o grupo estaria pressionando o proprietário a desistir de ações de reintegração de posse para "vender" a área ao INCRA, mesmo com embargos ambientais vigentes que, por lei, impediriam o assentamento.

veja https://www.instagram.com/p/DW3nlPXiHND/

Afastamento e Reações

Diante da gravidade das acusações, o então superintendente regional do INCRA em Mato Grosso, Joel Machado, foi afastado do cargo. O advogado Samuel Vasconcelos, que representa o proprietário da fazenda, afirma que existe um "lobby" direto entre o gabinete do deputado e a superintendência do órgão para forçar a desapropriação.

Em nota, o deputado Valdir Barranco negou qualquer ingerência administrativa sobre o INCRA e afirmou que sua atuação política é restrita à defesa da reforma agrária dentro dos limites legais. O assessor Salvador de Almeida também refutou as acusações, classificando-as como "inverídicas".

O "Feitiço contra o Feiticeiro"?

Nos bastidores de Nova Bandeirantes, o clima é de ironia e tensão. Moradores e lideranças locais lembram que, em episódios anteriores, o deputado Valdir Barranco foi um dos principais articuladores em denúncias contra vereadores do município por suposta extorsão.

Agora, com seu próprio gabinete na mira do Ministério Público por suspeitas semelhantes de lobby e pressão econômica, o parlamentar enfrenta o desgaste político de ver o "feitiço virar contra o feiticeiro". O caso segue sob investigação sigilosa, e o MP busca agora determinar se houve pagamento de propina ou tráfico de influência para beneficiar terceiros com dinheiro público.

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