ROMA — A ex-deputada federal brasileira Carla Zambelli foi libertada na noite desta sexta-feira (22) após passar quase dez meses detida no complexo penitenciário de Rebibbia, na capital italiana. A soltura ocorreu após a Corte Suprema de Cassação de Roma — a última instância do Poder Judiciário na Itália — anular a decisão anterior que autorizava a sua extradição para o Brasil.

A decisão representa uma reviravolta no caso. Em março deste ano, a Corte de Apelação de Roma havia dado parecer favorável ao envio de Zambelli de volta ao território brasileiro. Contudo, a defesa da ex-parlamentar recorreu à instância máxima, que acolheu os argumentos dos advogados e barrou o procedimento de transferência.
Ao deixar o presídio, Zambelli apareceu em um vídeo publicado nas redes sociais de seu advogado italiano, Pieremilio Sammarco, comemorando o resultado.
"Agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão. Vocês não sabem ainda qual é essa missão, mas logo, logo vocês vão saber pelos meus canais", declarou a ex-deputada em sua primeira aparição pública.
Os argumentos que garantiram a liberdade
De acordo com a defesa de Zambelli, capitaneada pelos advogados Pieremilio Sammarco e Fábio Pagnozzi, o recurso vitorioso baseou-se em supostos "vícios processuais" no julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Brasil, além de questionamentos técnicos sobre as condições carcerárias do presídio da Colmeia (DF), onde ela cumpriria pena.
Os advogados também sustentaram a tese de "perseguição política", argumento que foi validado pela Corte de Cassação ao reverter a extradição vinculada ao caso da invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

O histórico do caso e os próximos passos
Carla Zambelli, que possui dupla cidadania, deixou o Brasil e viajou para a Itália em meados de 2025, logo após ser condenada pelo STF a uma pena de 10 anos de prisão. Ela foi apontada pelas investigações da Polícia Federal como a autora intelectual do hackeamento do sistema do CNJ em 2023 — executado por Walter Delgatti —, que incluiu um mandado falso de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes.
Em julho de 2025, dias após ingressar em solo italiano na tentativa de obter asilo político, Zambelli foi detida pelas autoridades locais em cumprimento ao pedido de extradição formulado pelo governo brasileiro.
Apesar de a via judicial criminal ter se esgotado a favor de Zambelli na Suprema Corte italiana neste processo específico, o caso ainda deve passar por duas etapas importantes:
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Análise ministerial: Por força da legislação local, o veredito final burocrático cabe ao Ministério da Justiça da Itália, comandado por Carlo Nordio.
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Segundo processo: Há um segundo pedido de extradição contra a ex-deputada ainda em análise independente pela Justiça italiana, este referente ao caso do porte ilegal de arma de fogo ocorrido em São Paulo nas vésperas das eleições de 2022.
Até que os trâmites restantes sejam formalizados, Carla Zambelli permanecerá em liberdade em território italiano.
Para acompanhar a cobertura em vídeo sobre o desdobramento judicial que concedeu a soltura da ex-parlamentar diretamente de Roma, assista à reportagem no Jornal da Cultura, que detalha as teses aceitas pela Suprema Corte da Itália.