“Se eu abrir o bico, acabou Mato Grosso”, dispara Jayme Campos

Publicada em: 21/08/2026 10:48 -

Senador diz que investigações precisam alcançar “ricos” e cobra prisão e ressarcimento aos cofres públicos

“Se eu for abrir o bico, se eu for falar tudo que eu sei, acabou Mato Grosso. Não vai ter cadeia para pouca gente. Vai ter que buscar novos presídios.” A declaração é do senador Jayme Campos (União Brasil), que elevou o tom nesta quarta-feira (19.08), na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), após acompanhar oitivas da CPI da Saúde.

 

 

O senador cobrou a atuação dos órgãos de investigação e controle e afirmou que as denúncias não podem simplesmente cair no esquecimento. “Todos os dias tem denúncia de desvio de recursos públicos. Vai ficar por aí? Não pode ficar por aí. Nós temos que apurar todos esses fatos que aconteceram no nosso Estado”, declarou.

Jayme disse ainda ter informações sobre a possibilidade de novas operações. “Parece que vêm mais [operações] aí, porque o trem aí é mais feio do que vocês pensam”, afirmou.

Para o senador, eventuais investigações devem alcançar também pessoas de maior poder econômico e político, caso sejam identificadas irregularidades. “Tem que ir preso, amigo. Tem que sair preso e tem que devolver o dinheiro do Estado de Mato Grosso para o povo mato-grossense”, disse. “Não pode ser para pobre, tem que ser para rico também”, acrescentou.

“Se eu abrir o bico”

A declaração mais contundente veio quando Jayme mencionou as concessões e privatizações de rodovias estaduais. Sem especificar contratos, empresas ou pessoas, ele defendeu uma investigação sobre o setor. “A privatização das estradas aqui tem que ser apurada. É só lambança também”, disparou.

Na sequência, afirmou possuir informações que, se reveladas, poderiam ampliar o alcance das investigações. “Se eu for abrir o bico aqui, desculpa a expressão da palavra, se eu for falar tudo que eu sei, acabou Mato Grosso. Não vai ter cadeia para pouca gente. Vai ter que buscar novos presídios”, declarou.

Apesar do peso das afirmações, Jayme não apresentou naquele momento nomes, documentos ou detalhes sobre os fatos aos quais se referia.

Consignados

O senador também citou o caso dos empréstimos consignados de servidores públicos estaduais e afirmou ter levado o assunto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça.

“Isso me deixa indignado de ver os servidores públicos de Mato Grosso sendo roubados à luz do dia. Tem cidadão que já pegou R$ 20 mil, já pagou R$ 30 mil e ainda deve R$ 50 mil”, afirmou.

Segundo Jayme, denúncias envolvendo recursos públicos precisam ser investigadas pelos órgãos competentes, entre eles Ministério Público e tribunais de Contas, para identificação de eventuais responsabilidades.

“Mauro acabou com o União Brasil”

Jayme também aproveitou a entrevista para rebater uma declaração atribuída ao vice-governador Otaviano Pivetta, de que o governador Mauro Mendes teria revitalizado o União Brasil em Mato Grosso. “Ele revitalizou o partido? Acabou com o partido. Infelizmente, ele acabou com o partido”, rebateu.

O senador acusou Mauro de priorizar seu grupo político e fortalecer outras legendas em detrimento do União Brasil.

“Ele fez política pessoal, pegou todos os amiguinhos dele, secretários, e colocou no Podemos, Republicanos, mas nunca fez nada em favor do partido. Ou seja, ele destroçou o União Brasil. Vem falar que revitalizou?”, declarou.

Jayme também cobrou respeito de Pivetta à sua trajetória e relembrou a eleição de 2018, quando concorreu ao Senado na mesma aliança que elegeu Mauro Mendes governador.

“Nós que recebemos ele, fizemos a nossa parte e demos a oportunidade de eleger ele em 2018”, afirmou, acrescentando que seu grupo ofereceu a Mauro “lealdade, amizade e voto”.

As declarações escancaram o acirramento da relação política entre Jayme Campos e o grupo de Mauro Mendes e foram dadas em meio às oitivas da CPI da Saúde e às cobranças por apuração de denúncias envolvendo a administração pública estadual.

FONTE-

Compartilhe:
COMENTÁRIOS
Comentário enviado com sucesso!
Carregando...