Barão do agro diz que Maggi apoia Bolsonaro de olho em indicar Mauro para ministério
GILSON NASSER
DA REDAÇÃO
Uma das principais lideranças do agronegócio ligadas à esquerda em Mato Grosso, o produtor Carlos Ernesto Augustin (PSB), conhecido como "Teti", crê que o apoio do ex-governador Blairo Maggi (PP) ao senador Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, tem como pano de fundo a possibilidade de indicação do ex-governador Mauro Mendes (União) a um ministério num eventual governo bolsonarista. "Teti" disputou a eleição deste ano como 1º suplente de Pedro Taques (PSB).

O megaempresário, que declarou uma fortuna de mais de R$ 46 milhões, se disse surpreso com a manifestação de Blairo, já que ele costumava ficar neutro em eleições presidenciais. "Teti", no entanto, ressaltou que a articulação pode favorecer Cidinho, atual primeiro suplente de Mauro Mendes, e que também foi suplente de Maggi entre 2010 e 2018, permanecendo por um bom tempo na cadeira de senador, enquanto Maggi ocupou o Ministério da Agricultura.
"Pelo que eu ouço falar, é que ele quer indicar o Mauro Mendes para ser ministro de Minas e Energia ou ministro da Agricultura, caso o Bolsonaro vença, para que o suplente Cidinho migre para a senatória", disse.
Outra situação que pode ter influenciado o apoio é o fato de Flávio Bolsonaro ter avançado ao 2º turno na frente de Lula. O "favoritismo" do filho de Jair Bolsonaro pode ter pesado na declaração de apoio. "O que acontece é que o Blairo ficava, vamos dizer assim, em cima do muro. E agora ele entendeu que 'esse lado vai ganhar e eu vou para esse lado para fazer o ministro'", analisou o ex-candidato a suplente.
Porém, na avaliação do barão do agro, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro seria prejudicial à agricultura nacional. Isso porque, a tendência é de que o atual senador carioca extremeça a relação com a China, principal mercado dos produtos brasileiros, assim como ocorreu no governo de Jair Bolsonaro.

"O Flávio é um problema para a agricultura do Brasil. Porque o Flávio vai lamber as botas do Trump e isto desagrada a China. Os Estados Unidos não é o nosso aliado na agricultura, os Estados Unidos é nosso concorrente na agricultura", assinalou.
"Normalmente a China não se pronuncia sobre isso, sobre aquilo, mas a China se pronuncia quando faz cortes, por exemplo, aos volumes de carne que o Brasil exporta para a China. Isso é extremamente perigoso", salientou.
Augustin citou ainda que Lula possui uma boa relação com os principais mercados dos produtos brasileiros. "Eu viajei o mundo inteiro junto com o ministro Fávaro e eu vi que o grande fenômeno das aberturas de mercado do Brasil foi o fato de o presidente Lula ser presidente da República. Os países da Ásia, os países da Europa, enxergam de maneira diferente o Lula e o Bolsonaro", observou.
"Teti" também analisou que, num cenário de crise para o setor, o governo petista já demonstrou sensibilidade em socorrer os produtores, ao contrário do que se desenha com Flávio Bolsonaro. "Eu já vi o presidente Lula e a presidente Dilma equacionar várias vezes o endividamento da agricultura. Agora, um governo de Bolsonaro, um governo de capitalismo selvagem, não vai acudir na agricultura. Vai largar ele às traças. Realmente me preocupa, estou muito preocupado com isso."




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