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Confusão generalizada envolvendo a Polícia Legislativa e o deputado Glauber Braga (PSOL) resulta em denúncias de censura e agressão a jornalistas; Presidente Hugo Motta é alvo de críticas.

Publicada em: 10/12/2025 06:33 -

 A Câmara dos Deputados foi palco de cenas de violência e tensão institucional na noite de ontem (09/12), em um episódio que já está sendo chamado de "o novo quebra-quebra", não pela destruição de patrimônio, mas pela ruptura da ordem democrática e agressões físicas no plenário.

A sessão, destinada a debater a polêmica Anistia aos presos do 8 de janeiro e processos de cassação, foi interrompida abruptamente quando o deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) ocupou a mesa da Presidência em protesto. O ato desencadeou uma reação em cadeia que culminou na intervenção da Polícia Legislativa e em um "apagão" inédito da transparência na Casa.

O Estopim: A Ocupação da Mesa

O tumulto começou quando Braga se recusou a deixar a cadeira da presidência da Câmara, alegando que a pauta de votação — que incluía a redução de penas para condenados por atos golpistas — era uma afronta à democracia e parte de um acordo para blindar parlamentares.

O Presidente da Câmara, Hugo Motta, ordenou a desobstrução imediata da mesa. Agentes da Polícia Legislativa cercaram o deputado do PSOL, que foi retirado à força do local. Relatos e vídeos que circulam nas redes sociais mostram o parlamentar sendo segurado pelo pescoço (em um golpe similar a um "mata-leão") e tendo a camisa rasgada enquanto era arrastado para fora do plenário.

"Apagão" e Agressões à Imprensa

O aspecto mais grave do episódio, segundo entidades de classe, foi o tratamento dispensado à imprensa. No momento em que a confusão escalou, o sinal da TV Câmara foi cortado, e a transmissão no YouTube interrompida, deixando a sociedade às escuras sobre o que acontecia lá dentro.

Jornalistas que cobriam a sessão in loco relataram terem sido empurrados e agredidos por policiais legislativos ao tentarem registrar a remoção de Braga. Profissionais da Record, R7 e outros veículos denunciaram socos e empurrões. A Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abratel) e a Fenaj emitiram notas de repúdio, classificando a expulsão dos jornalistas do plenário como um ato de censura e autoritarismo.

"O senhor tirou a imprensa desse plenário. O senhor também fez algo que não era feito desde a redemocratização que é desligar a TV Câmara," protestou a deputada Talíria Petrone (PSOL-RJ), dirigindo-se a Hugo Motta após a retomada parcial dos trabalhos.

O Contexto: A Sombra do 8 de Janeiro

O pano de fundo para a confusão é a tentativa do chamado "Centrão" e da oposição de aprovar medidas que beneficiem os envolvidos nos ataques de 8 de janeiro de 2023, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. A votação da anistia ou redução de penas tem travado a pauta do Congresso e gerado obstruções mútuas entre governo e oposição.

Enquanto a base governista acusa a presidência da Câmara de atropelar o rito para "passar a boiada" da anistia, a oposição argumenta que o protesto de Glauber Braga foi uma quebra de decoro inaceitável que justificava o uso da força.

Próximos Passos

O episódio deve gerar novos processos no Conselho de Ética, tanto contra Glauber Braga (por obstrução e ocupação da mesa) quanto representações contra Hugo Motta pelo abuso de autoridade contra a imprensa. A sessão foi suspensa, mas a tensão permanece elevada em Brasília, com a pauta da anistia ainda pendente e o clima entre os parlamentares deteriorado.

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