Diretora do IML afirma que substâncias foram aplicadas de forma irregular e que profissionais de saúde tinham pleno conhecimento dos riscos fatais
Novos detalhes técnicos sobre as mortes investigadas na “Operação Anúbis” foram revelados pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF). A diretora do Instituto de Medicina Legal (IML), Márcia Reis, afirmou que a perícia identificou a administração irregular de medicamentos controlados e até o uso de desinfetante em um dos pacientes que morreram no hospital de Taguatinga.

“Houve a suposta aplicação de um desinfetante. Depois dessa aplicação, que ocorreu em mais de uma ocasião, o paciente acabou evoluindo para óbito”, relatou a perita.
Segundo a análise pericial, que cruzou dados dos prontuários médicos com imagens de câmeras de segurança e exames de sangue, as vítimas não apresentaram uma piora gradual, comum em casos graves de UTI, mas sim um agravamento repentino. “Houve uma piora súbita em momentos repetidos que culminaram na parada cardíaca”, explicou a diretora.
O confronto entre as imagens e os registros clínicos mostrou que a instabilidade na saúde dos pacientes ocorria instantes após a intervenção dos suspeitos. De acordo com Márcia, em alguns casos, os eventos de parada cardíaca aconteceram “segundos após a aplicação dessa medicação”.
Caso aconteceu no hospital Anchieta, em Taguatinha, no Distrito Federal
Riscos
Questionada se as mortes poderiam ter sido acidentais, a diretora do IML afirmou que, por serem profissionais de saúde experientes em ambiente de terapia intensiva, os investigados tinham ciência dos protocolos rígidos e dos efeitos letais das substâncias administradas daquela forma. “Eles aplicaram de uma forma irregular, não controlada e inadequada. Com certeza sabiam dos efeitos potenciais dessa medicação”, pontuou.
FONTE -JP