Em entrevista exclusiva, a ex-deputada federal criticou a condução das investigações e afirmou que o foco na família do presidente serve como "cortina de fumaça" para problemas reais do país.
A Professora Rosa Neide (PT) saiu em defesa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o "Lulinha", em meio aos desdobramentos de recentes investigações e quebras de sigilo bancário. Para a parlamentar, as movimentações financeiras questionadas são compatíveis com a atividade empresarial de Lulinha e não apresentam irregularidades.

Transparência e Legalidade
Rosa Neide destacou que a quebra de sigilo, longe de incriminar, serviu para demonstrar a lisura das contas. "Foi muito bom quebrar o sigilo e olhar aquela conta. Não tem nenhum depósito irregular lá", afirmou. Segundo ela, o montante de R$ 19 milhões movimentado em quatro anos refere-se a atividades de um empresário que possui duas grandes empresas, com transferências devidamente registradas entre suas contas jurídicas e físicas.
A ex-deputada também ironizou o questionamento sobre transferências feitas pelo presidente Lula ao filho: "É um pai que tem recursos legais e transfere um valor para a conta de um filho. Em que lugar do mundo isso seria questionado, senão no Brasil?"
O Caso Banco Master e a "Herança" de Bolsonaro
Ao ser questionada sobre o envolvimento no caso do Banco Master, Rosa Neide foi enfática ao atribuir a origem do problema à gestão anterior. "O Caso Master começou todo no governo Bolsonaro. Quem se envolveu tem que responder mesmo, seja do lado A ou do lado B, mas estamos vendo que o lado da direita está todo no celular do [advogado] Roberto Bertholdo", pontuou.
Crítica às CPIs: "Debate Político, não Técnico"
Com experiência em comissões parlamentares, Rosa Neide criticou o uso das CPIs como ferramenta de desgaste político. Segundo ela, essas investigações muitas vezes criam uma "cortina de fumaça" para evitar discussões urgentes para a sociedade brasileira, como:
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O aumento dos preços decorrente de conflitos internacionais;
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O papel diplomático do Brasil;
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O combate ao feminicídio e outras pautas sociais graves.
Para a professora, a estratégia da oposição foca em desgastar a imagem do governo enquanto o país deixa de debater soluções estruturais. "Vira um problema que você tem que gastar energia todo dia para dar resposta pública, enquanto temas gravíssimos ficam sem tempo para serem discutidos", concluiu.