Por Meire Machado
A contagem regressiva já começou e muitos pré-candidatos ainda não perceberam.
No calendário eleitoral, existe um erro silencioso que se repete a cada ciclo, acreditar que a campanha começa quando ela se torna visível. Ela começa antes. E, mais importante:
Ela já está em contagem regressiva.
O marco é claro: 15 de maio.
É a partir dessa data que a legislação permite a arrecadação prévia via financiamento coletivo. Um mecanismo que, à primeira vista, parece apenas uma oportunidade. Na prática, é um teste técnico que separa estrutura de improviso. A Lei nº 9.504/1997 e a Resolução TSE nº 23.607/2019 não criaram apenas uma autorização. Criaram um sistema de pressão, e quem não se antecipa, entra atrasado.
O tempo é o primeiro ativo político
Enquanto muitos ainda discutem estratégia, os bastidores já operam em outro nível:
👉 Plataformas sendo contratadas
👉 Estruturas contábeis sendo organizadas
👉 Narrativas sendo calibradas juridicamente
Porque a verdade é simples — e desconfortável:
Quem chega no dia 15 despreparado, não começa. Corre atrás.
E, em política, correr atrás custa caro.
O erro não está no dinheiro. Está na mensagem.
A legislação permite arrecadar antes da campanha, mas impõe uma condição invisível, você pode captar recursos sem parecer que está pedindo voto.
✔️ Pode apresentar sua história ✔️ Pode defender ideias ✔️ Pode divulgar a vaquinha
❌ Não pode pedir voto ❌ Não pode usar número ❌ Não pode antecipar campanha
Uma frase errada, no momento errado, transforma estratégia em infração. Multas podem chegar a R$ 25 mil. Ou seja, não é sobre quando você começa é sobre como você começa.
O risco que cresce na mesma velocidade da arrecadação, existe outro fator que entra na contagem regressiva e poucos monitoram, a qualidade do dinheiro arrecadado. Cada doação precisa ser identificada com precisão absoluta. Sem isso, o recurso se transforma em RONI (Recurso de Origem Não Identificada). E aqui está o ponto crítico:
RONI não espera. Ele se acumula, e quando aparece na prestação de contas, já é tarde. Valores são devolvidos ao Tesouro Nacional, e suas contas podem ser comprometidas, sua credibilidade começa a ser questionada.
A falsa sensação de “depois eu ajusto” Um dos erros mais comuns neste período é adiar a estruturação técnica. A lógica costuma ser: “Primeiro arrecado, depois organizo.” No ambiente eleitoral, essa lógica não funciona. Porque o sistema não corrige depois. Ele registra desde o início. E tudo o que começa desalinhado tende a se transformar em passivo.
O que a contagem regressiva realmente mede. Não é apenas o tempo até 15 de maio. É o nível de preparo da candidatura. Porque arrecadar antes do registro não é apenas uma vantagem financeira , É um sinal de maturidade política, quem estrutura antes:
✔️ reduz risco ✔️ acelera execução ✔️ transmite força
Quem improvisa:
→ expõe fragilidade → aumenta custo → compromete o futuro
Concluindo: não é sobre pressa — é sobre prontidão A contagem regressiva não exige velocidade, exige preparo. A arrecadação prévia é uma oportunidade estratégica, mas também um filtro técnico. Ela revela, antes da campanha começar, quem está operando com método e quem ainda está no campo da intenção.
No fim, a equação permanece, não é o dinheiro que define a campanha, é o controle sobre ele — desde o primeiro dia.
E o primeiro dia…
já está mais próximo do que parece.
Porque, em política, quem entende o tempo… controla o jogo.
Meire Machado
Contadora – CRC MT 020122/O-3
Especialista em Prestação de Contas Eleitorais Articulista sobre governança, contabilidade e estratégia institucional
Coluna Contas & Poder