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“A contagem regressiva eleitoral já começou — e muitos ainda estão fora do jogo”

Publicada em: 22/04/2026 12:50 -

Por Meire Machado

A contagem regressiva já começou e muitos pré-candidatos ainda não perceberam.

No calendário eleitoral, existe um erro silencioso que se repete a cada ciclo, acreditar que a campanha começa quando ela se torna visível. Ela começa antes. E, mais importante:

Ela já está em contagem regressiva.

O marco é claro: 15 de maio.

É a partir dessa data que a legislação permite a arrecadação prévia via financiamento coletivo. Um mecanismo que, à primeira vista, parece apenas uma oportunidade. Na prática, é um teste técnico que separa estrutura de improviso. A Lei nº 9.504/1997 e a Resolução TSE nº 23.607/2019 não criaram apenas uma autorização. Criaram um sistema de pressão, e quem não se antecipa, entra atrasado.


O tempo é o primeiro ativo político

Enquanto muitos ainda discutem estratégia, os bastidores já operam em outro nível:

👉 Plataformas sendo contratadas
👉 Estruturas contábeis sendo organizadas
👉 Narrativas sendo calibradas juridicamente

Porque a verdade é simples — e desconfortável:

Quem chega no dia 15 despreparado, não começa. Corre atrás.

E, em política, correr atrás custa caro.


O erro não está no dinheiro. Está na mensagem.

A legislação permite arrecadar antes da campanha, mas impõe uma condição invisível,  você pode captar recursos sem parecer que está pedindo voto.

✔️ Pode apresentar sua história ✔️ Pode defender ideias ✔️ Pode divulgar a vaquinha

Não pode pedir voto  Não pode usar número  Não pode antecipar campanha

Uma frase errada, no momento errado, transforma estratégia em infração. Multas podem chegar a R$ 25 mil. Ou seja,  não é sobre quando você começa é sobre como você começa.


O risco que cresce na mesma velocidade da arrecadação, existe outro fator que entra na contagem regressiva e poucos monitoram, a qualidade do dinheiro arrecadado. Cada doação precisa ser identificada com precisão absoluta. Sem isso, o recurso se transforma em RONI (Recurso de Origem Não Identificada). E aqui está o ponto crítico:

RONI não espera. Ele se acumula,  e quando aparece na prestação de contas, já é tarde. Valores são devolvidos ao Tesouro Nacional, e suas contas podem ser comprometidas, sua credibilidade começa a ser questionada.


A falsa sensação de “depois eu ajusto”  Um dos erros mais comuns neste período é adiar a estruturação técnica. A lógica costuma ser:  “Primeiro arrecado, depois organizo.” No ambiente eleitoral, essa lógica não funciona. Porque o sistema não corrige depois.  Ele registra desde o início. E tudo o que começa desalinhado tende a se transformar em passivo.


O que a contagem regressiva realmente mede. Não é apenas o tempo até 15 de maio. É o nível de preparo da candidatura. Porque arrecadar antes do registro não é apenas uma vantagem financeira , É um sinal de maturidade política, quem estrutura antes: 

✔️ reduz risco ✔️ acelera execução ✔️ transmite força

Quem improvisa:

→ expõe fragilidade → aumenta custo → compromete o futuro


Concluindo: não é sobre pressa — é sobre prontidão A contagem regressiva não exige velocidade, exige preparo.  A arrecadação prévia é uma oportunidade estratégica, mas também um filtro técnico. Ela revela, antes da campanha começar, quem está operando com método e quem ainda está no campo da intenção. 

No fim, a equação permanece, não é o dinheiro que define a campanha, é o controle sobre ele — desde o primeiro dia.

E o primeiro dia…
já está mais próximo do que parece.

Porque, em política, quem entende o tempo… controla o jogo.


 Meire Machado

Contadora – CRC MT 020122/O-3

Especialista em Prestação de Contas Eleitorais Articulista sobre governança, contabilidade e estratégia institucional

Coluna Contas & Poder

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